Por Fernanda
Cruz
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| Medicamentos - Arquivo/Agência Brasil |
Segundo Márcio Nattan Portes Souza,
neurologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, o paciente que sofre
constantemente com dores de cabeça e passa a abusar da medicação pode
desenvolver ainda mais cefaleia. “A gente observa que o paciente sabe disso, que
começa a diminuir o efeito do analgésico. Então, antes [a dor de cabeça]
melhorava completamente, agora não melhora tanto. Antes, ele [o paciente]
ficava três dias sem dor depois que tomava um analgésico, agora ele fica meio
dia e a dor volta”, disse o médico.
O especialista lembra que, por ser
um desconforto comum entre a população, poucas pessoas procuram ajuda médica, o
que só piora o problema. “A Sociedade Brasileira de Neurologia recomenda que em
casos de mais de três dias com dor de cabeça por mês ou de mais de três meses
de dores de cabeça frequentes, é preciso procurar a ajuda de um neurologista”.
Tratamento
Além da conscientização do paciente
para eliminar os abusos, existe o tratamento contínuo que evita o surgimento
das dores. “Quando você está fazendo o tratamento profilático, você toma uma
medicação todos os dias. Em quatro semanas, começa a diminuir a frequência da
dor de cabeça. Sem esse tratamento, principalmente para quem tem dor muito
frequente, não há como melhorar”, esclarece o médico.
Ele recomenda também uma reflexão
sobre os hábitos. Nattan sugere que o paciente invista em atividade física, na
redução do peso (para obesos), melhora do sono, no combate ao estresse e
tratamento dos sintomas de depressão e ansiedade. A meditação também pode ser
uma boa aliada.
Enxaqueca
O especialista explica que a
enxaqueca tem influência genética e que o gatilho nem sempre é a causa do
problema. Gatilhos são fatores desencadeadores das dores, sendo os mais comuns
a ingestão de chocolate, alimentos embutidos, enlatados e bebidas alcóolicas,
especialmente o vinho tinto com alto teor de tanino. A cafeina (presente no
café, refrigerante de cola e energético) é contraditória, pois pode tanto
auxiliar no tratamento, quanto servir como gatilho na piora da dor.
Quando a cefaelia dura mais de 15
dias (com oito dias de características típicas da doença), em um mês já pode
ser considerada crônica. Essa forma mais grave de cefaleia afeta 15% da
população mundial e é responsável por 20% dos dias perdidos no trabalho nos
Estados Unidos. Entre os que sofrem de enxaqueca, o abuso de analgésicos também
é presente - de 25% a 50% dos pacientes fazem uso excessivo desses
medicamentos.
Sinais de perigo
Dor de cabeça pode ser sintoma de
uma doença mais grave. “A dor de cabeça ser forte, em si, não significa sinal
de alarme. Mas quando a dor de cabeça começa subitamente e, em poucos segundo
já está extremamente intensa, é chamada de trovoada. Parece que está explodindo
a cabeça. A pessoa não deve marcar consulta e sim ir para o Pronto-Socorro”,
alerta o médico.
Outros sinais citados por Nattan são
desmaio, dor de cabeça diferente do habitual e associada a febre. Além disso,
pessoas com mais de 50 anos, sem histórico de dores, devem se preocupar se
apresentar os sintomas. Pacientes transplantados ou com doenças
imunodepressoras também devem ficar atentos.
